Envelhecimento vira pauta na OMS

A instituição defende que o envelhecer deve ir além do tratamento de doenças

Repórteres: Abner Oliveira e Marco Aurélio Cardoso

A nova campanha da Organização Mundial de Saúde prevista para a década de 2020-2030 prioriza o idoso, levantando questões sobre o envelhecimento saudável. A instituição defende que o envelhecer deve ir além do tratamento de doenças, para repensar o idoso enquanto cidadão ativo na sociedade, que ainda corre, anda e consegue se exercitar como qualquer pessoa.

Hoje em dia existe um conflito de gerações entre idosos e jovens. É uma relação em conflito, se pensar na correria diária ou até mesmo na desvalorização da troca de conhecimento entre gerações. As adversidades e a convicção da pessoa idosa podem ser compreendidas como má fé. A principal consequência a ser combatida é a separação entre juventude e terceira idade concentradas em extremos opostos, colocando o idoso em segundo lugar na sociedade.

Projeto Terceira Idade em Ação (PTIA) realiza atividades que visam o envelhecimento ativo na comunidade da UFPI (Foto: Marco Aurélio Cardoso/ Portal Luneta)

O psicólogo, Rafael Carvalho Pires da Silva, da Clínica Taglia, localizada na capital piauiense, Teresina, indica que as origens da segregação são culturais em nossa sociedade. “Nós ainda temos uma fala com relação as pessoas que estão na terceira idade relacionando muito essa palavra a velho. Você vai envelhecendo, você vai ficando velho. Velho geralmente é uma atribuição a objetos. E o que você faz com o velho? Você joga para o canto e dá valor àquilo que é novo, ao que é mais moderno. Então a partir daí, passamos a viver em uma sociedade que cultua o jovem e o idoso vai ficando para escanteio”, aponta.

A atribuição do “velho” pode ser constatada no enorme crescimento da população idosa, mas no desaparecimento da mesma nos espaços de socialização como praças, shoppings, parques, onde se vê a ocupação da população jovem com mais frequência.

Segundo projeções do IBGE, o Brasil possui uma pirâmide crescente de envelhecimento, sendo a diminuição da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida as causas principais. Ainda segundo o estudo, espera-se que por volta do ano 2050, haverá no país 73 idosos para cada 100 crianças. A concentração da juventude e terceira idade em extremos opostos põe em questão os espaços de sociabilidade destinados à pessoa idosa, a garantia de seus direitos e as suas limitações em Teresina.

É a partir do pensamento de incluir o idoso na sociedade como pessoa que ainda esta na ativa, que surgem as políticas públicas voltadas para a terceira idade defendidas pela campanha da OMS. Políticas que promovam a sociabilização conjunta entre gerações e que se adequem as todas as camadas da população.

Confira mais sobre políticas públicas para o idoso:

O fisioterapeuta Danyel Castelo Branco coordena um projeto na praça do bairro vermelha que fomenta a prática de exercícios físicos nos espaços públicos. O profissional salienta que muitas pessoas não possuem recursos suficientes para custear serviços particulares e se manterem ativos o que também influencia em um envelhecimento mais rápido.

“Fatores como a violência, a família sempre muito ocupada, a estrutura das moradias onde o idoso fica mais preso em apartamento enquanto antigamente ele podia se reunir com amigos na porta de sua casa interferem na saúde do idoso. Precisamos de recursos para que eles ocupem os espaços públicos, para que se sintam pertencentes à comunidade e para que esse pertencimento também sirva para manutenção e ocupação de nossas praças” atesta o fisioterapeuta.

Iniciativas das academias ao ar livre

Vídeo: Marco Aurélio Cardoso/ Portal Luneta

Aposentada há cinco anos, Antônia Maria Vieira dos Santos encontrou no artesanato uma forma de fazer o que ama e de expor o seu produto em uma feira que acontece na Universidade Federal do Piauí quinzenalmente às sextas-feiras pela manhã. Antônia afirma que a atividade, além de terapêutica, ajuda na socialização e contribui significativamente com sua saúde física e mental.

A independência funcional do idoso é um desafio a ser alcançado, desde realizar tarefas diárias como vestir-se e até mesmo, garantir seu lugar dentro da sociedade. A mobilização em desenvolver ações que proporcionem o envelhecimento ativo assiste a não só a pessoa idosa de hoje, mas a do amanhã.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Webjornalismo – 2018.2, administrada pela professora Dra. Juliana Teixeira. 

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