E esse projeto, sai ou não sai?

Falta de diálogo é o principal conflito para o entendimento e continuação das obras

Repórteres: Vitória Vivian e Graciele Souza

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“Eu mesmo tiro do meu bolso o dinheiro para capinar porque o mato cresce muito rápido. Eu já perdi as esperanças de que essa obra seja concluída”. O que você acabou de ler é um trecho da conversa com a dona de casa Eunice da Silva Rodrigues, 51 anos, moradora do bairro Vila da Paz, localizado na zona Sul de Teresina.

A Vila da Paz engloba cinco comunidades.  Trata-se de uma ocupação irregular que se desenvolveu no entorno de uma área de risco de declive acentuado (grota) para onde convergem as águas pluviais da região e que apresenta hoje acentuada degradação ambiental. Inicialmente a urbanização do espaço afetaria em torno de 5.000 famílias. As obras previam intervenções de drenagem, abastecimento de água, esgotamento sanitário, pavimentação, habitação e a criação de um parque urbano com diversos equipamentos de prestação de serviço e lazer.

vila paz area
Situação e Locação da área na cidade de Teresina (Fotos: Reprodução/Google Imagens)

“Não vamos mais fazer o que tínhamos pensado antes”

O projeto executivo de obra datado de 2015 não era completo, mesmo assim os trabalhos foram iniciados com base em um projeto básico. Ao cair em campo e ver o drama familiar dos moradores, foi preciso sentar à mesa e refletir. “Durante a execução das obras locais, foram observadas várias dificuldades, entre elas o drama familiar. E posso dizer que hoje ele (projeto) está em fase de reformulação. Não vamos mais fazer o que tínhamos pensado antes”. É o que conta o engenheiro da Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) responsável pelas obras, Marcos Davi.

Projeto do Centro de Educação Ambiental (Foto: Reprodução/Prefeitura de Teresina)

Famílias são direcionadas para bairros distantes

Lembra da dona Eunice, lá do início da matéria? Ela falou que chegou a receber uma proposta formal da PMT no valor de R$ 25 mil reais pelo seu imóvel, quantia essa que  considerou inadequada. Segundo a mesma, dona Eunice foi aconselhada pela assistente social a abrir um processo judicial para receber um valor compatível com seu imóvel.  Não obteve retorno. O reassentamento de algumas famílias, está sendo direcionado para residenciais distantes do bairro, como: Portal da Alegria e Torquato Neto. Regiões longínquas e afastadas do centro comercial da cidade, foi outro problema enfatizado pelos moradores, pois muitos trabalham na própria região, como é o caso da família de Eunice Rodrigues.

O orçamento básico do projeto está em torno de R$ 35 milhões. Em obras realizadas foi investido valor em torno de R$12 milhões com recursos próprios financeiros e da Caixa Econômica Federal. No planejamento, seriam construídos apartamentos para 624 famílias. O diretor em exercício da Associação da Vila da Paz, Renato Brito Motta, arriscou dizer que isso ainda não teria sido feito por conta da mudança de governo– Era para ter apartamentos populares para esse povo, mas o que aconteceu é que tiraram umas 200 famílias daqui para o residencial Torquato Neto- frisou o diretor.

vila da PAz arte

Quanto ao impasse entre o valor da indenização do imóvel e o oferecido pela Prefeitura, o diretor pontua que as casas foram construídas em área, e o que a PMT pode fazer, é dar uma moradia digna. O que ele afirma, assim como os moradores é que a falta de diálogo, entre moradores, a Associação e a PMT é o principal conflito para o entendimento e continuação das obras.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Webjornalismo – 2018.2, administrada pela professora Dra. Juliana Teixeira. 

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