Capoeira: tradição e esporte

Repórteres: Otávio Neto e Brendo Veras

Chute, rasteira, acrobacias no ar. Movimentos rápidos. Em volta, um grupo de pessoas batem palmas e cantam pausadamente sons repetitivos. Essa é uma roda de capoeira. Até a década de 60, na jovem cidade de Teresina, nem mesmo o termo era conhecido. Mesmo tendo surgido no período da escravidão no Brasil, a capoeira demorou chegar ao Piauí. E, quando chegou, veio carregada de preconceito e dificuldades.

Robson Carlos da Silva dedicou sua tese de doutorado para buscar entender como a expressão cultural se instalou no Estado. Em 2012, ele concluiu: enquanto a capoeira era praticada em todo país, o Piauí só conheceu os primeiros movimentos no início dos anos 1970.

“Caramuru chegou em Teresina no ano de 1969, iniciando na prática da capoeira no ano de 1970, pelos ensinamentos de um primo oriundo de Salvador-BA, chamado Washington, que veio morar na Via Militar, no bairro Marquês, zona norte da cidade, mais precisamente no Clube do Marquês, clube dos oficiais do Exército do Piauí”, defende Robson.

Na periferia da cidade, jovens se agrupavam para aprender e praticar as jogadas ágeis. Mestre Caramuru tomou para si a responsabilidade de expandir a capoeira no Piaui. Em 1974, formou o primeiro grupo: Nova lua de Capoeira. Apesar do preconceito da sociedade teresinense, a prática cresceu e ganhou espaço nas escolas de samba. A partir de então foi difícil frear o crescimento das rodas.

“Mais ou menos em 74, 75, nesses meados aí, que a gente já tinha bastante informação, já jogava bastante, já fazia roda, lá no colégio João Costa, depois me mudei pro João Clímaco, e já tinha roda de capoeira porque era eu que fazia”, recorda o mestre Caramuru. As escolas abriram as portas para a prática da capoeira e a popularidade trouxe junto novos nomes e precursores do movimento em Teresina.

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Evolução da Capoeira no Piauí (Foto: Brendo Veras/Luneta)

OS PRIMEIROS DESAFIOS

Um dos pioneiros da capoeira no Piauí, mestre Tucano pontua as dificuldades enfrentadas nos primeiros momentos. Primeiro era enfrentar o preconceito devido a prática ter adeptos nas periferias, depois chegar às ruas, escolas e conseguir apoio governamental. “Fato importante seria dizer a chegada da capoeira nas ruas, as rodas de rua que se iniciaram no final dos anos 70 e o inicio dos anos 80” lembra.

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           Roda de Capoeira década de 1980 (Foto: Reprodução/Internet)

Em 1981, o jornal o Estado já denunciava a falta de incentivo: “Praticantes de Capoeira pedem apoio do Governo”, dizia uma das primeiras reportagens sobre a copeira vinculada na imprensa local. Se engana quem pensa que esses desafios ficaram no passado. Ainda hoje os grupos sofrem com a falta de recursos.

Esperança frustrada

O judô conseguiu ir mais longe com uma de nossas atletas, como é o caso de Sarah Menezes, que em 2012 faturou o título de campeã Olímpica. Com essa conquista, a capoeira suspirou e viu ali uma esperança para que o apoio ao esporte piauiense ganhasse novos rumos. Esperança frustrada. Nem mesmo para a própria campeã as melhorias chegaram.

“Naquele momento pensamos que o governo e os empresários iriam olhar para a gente de uma outra forma. Já que um modalidade (judô) do Piauí conquistou uma olimpíada, pensamos que iria melhorar pra gente também. Foi apenas ilusão. Nem mesmo a Sarah conseguiu vencer essa barreira”, diz desmotivada Amanda Pinheiro, capoeirista que costuma representar o Piauí em eventos da modalidade. Ela costuma bancar as próprias despesas nas viagens.

A Fundação de Esporte do Piauí (FUNDEPI), através de nota, informa sempre que procurada por qualquer modalidade esportiva se prontifica em ajudar. Diz ainda que o apoio ao esporte no estado cresceu nos últimos anos e que prepara editais para intensificar o apoio.

A produção jornalística que você acaba de ler/ouvir faz parte do trabalho desenvolvido pelos estudantes da disciplina de Webjornalismo – 2018.1, administrada pela professora Dra. Juliana Teixeira. 

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